Sou exagerada, por isso no começo é difícil sentir o outro, sua presença,suas ideias, sua falta - seja que outro for... acho que é um tipo de autismo que deixa poucas pessoas chegarem perto.
Deve ser porque morro, mato e viro o mundo por quem amo, aí me mantenho sempre que possível longe... ser gentil e estar disponível no caso é uma garantia de conforto, não de interesse naquele outro. As poucas pessoas que vão se achegando passam por um período em que pouco me importa quem são, mas sim o que imagino delas - espero que seja assim com todo mundo -ou corro agora e me matriculo numa escola para pessoas especiais...
No namoro era assim, nunca fez muita diferença quem era o namorado, afinal bastava beijar bem, estar perto e deixar que eu acreditasse que ele servia para estar ao lado. Se não servisse, que viesse outro. Assim mesmo ^^ Sem muitas complicações. Amor sempre foi uma coisa que acontecia em paralelo. Era sempre o jeito, os ideais, a erudição, uma ou outra coisa que fazia eu estar acompanhada...
Acho que o primeiro moço que deixei chegar perto o suficiente pra lembrar de alguma coisa que ele tenha pensado, ou sentido, é alguém de que me arrependo de fazer isso ^^
Então me afastei mais, fui me aproximar de novo de um namorado lá pelo 21º exemplar que tive na coleção, mas como este era uma peça rara tive que prestar atenção, foi uma caçada, um jogo ridículo, divertido, uma dança, ou seja lá oque for... o moço deu tanto trabalho que tive que querê-lo, que ir atras, que conhecê-lo para tê-lo perto. Isso rendeu algo desagradável... um encontro com meus planos... não lembro quais eram, nem se de fato os tinha ou se tinha alugado em alguma loja de fantasia barata.
Conviver com o outro foi difícil, cada decepção sem afastamento era uma pequena morte... Cada plano criado era desesperante e assustador... e veio o noivado, e veio a sorte, o destino, e nos separou...
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